Prefeitura tem dificuldade para demolir prédios da milícia

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É mais um grave problema social provocado pela milícia na Zona Oeste. Desta vez, na Muzema, região de Jacarepaguá, onde dois prédios desabaram em abril do ano passado, matando 24 pessoas. A prefeitura encontra dificuldade para demolir as construções irregulares no condomínio Figueiras do Itanhangá porque moradores tentam impedir a ação. Eles protestaram na madrugada desta quinta-feira e fizeram bloqueios contra as máquinas da prefeitura. Equipes do 18º BPM (Jacarepaguá) reforçaram o policiamento no local.

A demolição de seis prédios é alvo de disputa judicial. Um laudo feito pela empresa “Terratek” apontou que os prédios possuem diversos problemas de projeto e execução. Um dos trechos do laudo diz que “erros de projeto e execução das fundações são tão absurdos que qualquer engenheiro civil com pouca experiência poderia condenar tais obras”. O conteúdo foi divulgado pelo Globo, mas a prefeitura não quis comentar, alegando que não teve acesso aos laudos que ela mesmo encomendou. 

Milicianos ameaçam

O promotor Michel Zoucas, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), afirmou que um bando que administrava um condomínio clandestino na Estrada do Curumaú ameaçava com armas quem não pagasse as taxas por serviços como luz e água. 

A operação foi na manhã de ontem e mirava a quadrilha responsável por construir residências na Taquara. O Ministério Público, na “Operação Condomínio Fechado”, cumpriu seis dos sete mandados de prisão preventiva. Entre os presos está Ricardo Negrellos, apontado como o chefe do bando, e o capitão da PM Vitor Alexandre Silveira de Araújo. Eles foram presos em casa. 

Segundo o promotor, o grupo assumiu a área em 2016, após tomar a Associação dos Moradores e Amigos de Bosque Pedra da Boiúna (AMABPB). O loteamento, no Parque Nacional da Pedra Branca, já havia sido embargado pela prefeitura, mas as construções continuaram. “Esse grupo tomou o comando e começou a construir residências e a vender teremos. Houve abertura de rua, construção de casas e isso sem autorização do poder público”, disse Zoucas. A promotoria, analisando satélites, descobriu que, em 2016, último ano da gestão Eduardo Paes, houve uma “verdadeira explosão, tanto na construção de casas quanto na abertura de vias lá na região”. Os lotes valiam entre R$ 35 mil e R$ 40 mil. Já as casas prontas estavam avaliadas em torno de R$ 100 mil.