Freixo tem Medalha Tiradentes e defende união contra extrema direita

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Deputado Federal Marcelo Freixo

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou nesta quarta-feira a concessão de sua maior honraria, a Medalha Tiradentes, para o deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ). Com votos de adversários, como o líder do governo Wilson Witzel, Márcio Pacheco (PSC), Freixo teve reconhecida pelos parlamentares sua atuação na Casa, que ganhou notoriedade nacional em função de seu desempenho à frente da CPI das Milícias. 

O placar terminou com 21 votos favoráveis e 15 contrários. “Hoje, a mesma Casa que homenageou milicianos, homenageia a pessoa que enfrentou a máfia das milícias no RJ”, escreveu no Twitter a deputada Dani Monteiro, uma das autoras da homenagem. Também no Twitter, Freixo agradeceu a honraria e aproveitou para dar o troco aos que, rompendo a tradição da casa, tentaram derrubar a homenagem. Muitos deles já concederam a medalha a milicianos, como Adriano Nóbrega. 

“Agradeço a Dani Monteiro, Renata Souza, Flavio Serafini, Eliomar, Waldeck, Mônica Francisco, Luiz Paulo, Minc, Ceciliano, Zeidan e Enfermeira Rejane. Obrigado tb a quem votou contra, não quero homenagem do que há de mais podre na política”, escreveu o homenageado.

O deputado contou com votos de parlamentares adversários, incluindo o líder do governo Wilson Witzel, Márcio Pacheco. “Eu seria contrário se o homenageado respondesse a algum processo, fosse um criminoso, condenado ou coisa que o valha, o que não é o caso. Divergimos de quase todas as pautas, mas a democracia está aí e muitos nele confiam”, disse Pacheco. Outro adversário que votou a favor de Freixo foi Samuel Malafaia (DEM), afirmando que as “provocações” políticas entre ambos só contribuíram para seu crescimento. “Na adversidade, nos tornamos melhores. Tirando essa coisa de esquerda e direita, foi um grande deputado”, disse Malafaia.

SEM UNIÃO, FREIXO NÃO SERÁ CANDIDATO

No mesmo dia, Freixo movimentou o mundo da política fluminense ao dizer em entrevista ao site Poder 360 que só será candidato à Prefeitura do Rio este ano se houver “uma unidade ampla do campo progressista”. No cenário atual, segundo ele, essa união entre diversas siglas da esquerda ainda “não está consolidada”.

O pré-candidato do Psol disse ao Poder 360 que quer jogar toda sua força política no “enfrentamento à extrema direita brasileira porque não está no campo democrático, não está no campo das ideias; está no campo da morte das ideias –e isso é muito grave”. Ou seja, ficará onde for mais útil: na Câmara dos Deputados ou na disputa pela prefeitura do Rio. “Eu não tenho essa clareza ainda. Mas, para disputar uma cidade, tem que ter um projeto coletivo”, insistiu. 

O Poder 360 e a imprensa de um modo geral registra que, dentro do Psol, há resistências à proposta – defendida por Freixo – de aliança com setores mais moderados da oposição a Bolsonaro. Dois outros parlamentares já lançaram suas pré-candidaturas com discurso contra a aliança com o PT, o partido mais forte que tem demonstrado disposição em apoiar Freixo: o deputado David Miranda e o vereador Renato Cinco.

Na entrevista, Freixo disse que o Psol precisa “estar preparado para essa disputa” e “entender esse papel” de combater o crescimento da extrema direita com uma unidade do campo progressista: “Se essa unidade for construída e meu nome for consenso nessa disputa, ok. Se não for, dentro do Congresso eu tenho um papel importante. (…) Sair de Brasília, só se for com um projeto construído de unidade. Se não, não faz sentido.”

“A gente não está diante de um governo qualquer. A gente está diante de um governo que defende tortura, que milícia, ditaduras, que fala em desmonte das universidades, que promove uma economia que torna o Brasil cada vez mais desigual”, reforçou o deputado. “Não dá para, nesse momento, ter imaturidade. Não dá para, nesse momento, fazer política partidária como se estivesse fazendo política juvenil. Se for para isso, o candidato não tem que ser eu”, concluiu Freixo.