MP e Polícia estouram QG da Propina de Crivella

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Marcelo Crivella, prefeito do Rio
Marcelo Crivella, prefeito do Rio

Equipes do Ministério Público Estadual (MP-RJ) e da Polícia Civil cumpriram hoje mandados de busca e apreensão na investigação sobre o balcão de negócios na prefeitura de Marcelo Crivella para liberar verbas a empresas mediante pagamento de propina, o “QG da Propina”. 

Pelo fato de Crivella ser alvo da investigação, as ordens de busca e apreensão foram dadas por uma desembargadora, Rosa Maria Helena Guita, do Tribunal de Justiça. A Riotur e as residências de seu presidente, Marcelo Alves, e do irmão dele, Rafael Alves, estiveram entre os locais visitados pelos 15 agentes.

Às 6h, policiais civis chegaram à Cidade das Artes, onde fica a sede da Riotur. Pularam o portão, que estava trancado. O prefeito cancelou a presença em um evento que ocorreria às 9h.

A investigação se baseia na colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso pela operação Câmbio, Desligo, de 2019. A delação, homologada pelo TJ, citou um “QG da Propina” dentro da Riotur, tendo como operador o empresário Rafael Alves. Mizrahy afirmou que Rafael Alves tornou-se um dos homens de confiança de Crivella ao arrecadar recursos na campanha de 2016. 

Com a vitória de Crivella sobre o deputado Marcelo Freixo no segundo turno, Rafael emplacou o irmão na Riotur e montou o  “QG da propina” na prefeitura mesmo sem ocupar cargo, segundo o delator. “Rafael Alves viabiliza a contratação de empresas para a prefeitura e o recebimento de faturas antigas em aberto, deixadas na gestão do antigo prefeito Eduardo Paes, tudo em troca do pagamento de propina”, disse Mizrahy no anexo 15 da sua delação.

Mizrahy disse também que Rafael Alves lhe entregava semanalmente cheques de prestadores de serviço da prefeitura para posterior recebimento em espécie. Um dos cheques seria propina da empresa Locanty, de limpeza, coleta de lixo e locação de veículos. A empresa tem a receber, desde a gestão de Paes, o aluguel de veículos para reboque de carros.

O empresário João Alberto Felippo Barreto, dono da Locanty, também foi alvo da operação, conduzida pelo Grupo de Atribuição Originária em Matéria Criminal do MP-RJ (Gaocrim) e pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF) da Polícia Civil.